ngtskynebula: (Default)
"[...] ...Ninguém conhece, ninguém espera um domingo tácito para desfrutar; uma gentama tão ampla entre a alvura e a trigueira... mas não há um canto não inculco, é tudo carepa na alma, e a vida se baseia em colligo virgo. [...]"




!me chame de: miranda, mira, mimi, mi, nebbie
!mini-bio: ela/dela · +20 · assexual · rj, brasil · grand chase, k-pop · magi, fairy tail, animangá
!links: ff.net · +fiction · spirit · tumblr · mylist.info

!principais ships
: lass/elesis, amy/lin, jin/asin (grand chase); kouhaddin, yamraiha/sharrkan (magi); natsu/lucy, lucy/cana/flair (fairy tail), ships rpf (seventeen e exo)

!política de acesso
: sinta-se livre pra discordar de mim, no seu blog, ou “copiar” uma ideia de publicação do meu blog, porém repostar os meus textos é proibido. esse blog estará aberto a comentários sempre, inclusive se fizer muito tempo desde que publiquei determinado artigo. confira o meu arquivo, fique à vontade! ah, e eu não permito que as minhas histórias sejam resenhadas nas redes sociais (porém está tudo bem se for em um blog.)

!política de obras transformativas: não tenho problema algum com quem queira fazer fanart das minhas fanfics, ou fanfic delas, ou até mesmo utilizar a premissa de alguma fic minha para uma fanfic própria (mesmo que seja de outro fandom e/ou ship), desde que a execução não seja idêntica; ou seja, que, aí sim, se configure plágio. ideia nenhuma é propriedade intelectual de ninguém, e todos estamos brincando numa caixa de areia legalmente cinza. we're all colleagues, here. também não tenho problema com trabalhos transformativos baseados nos textos do blog, mas quero ser notificada quanto à publicação. e quanto a arquivar as minhas fanfics, eu não permito que seja feito de maneira pública, na web; se quiser, faça download e mantenha o documento consigo, para uso pessoal.

!obs: eu publicarei alguns jornais privados, e apenas amizades específicas terão acesso a eles por privacidadeisso é inegociável, não me disporei a liberar o acesso pra quem pedir; porém a maior parte dos meus textos é pública, e inscrições no meu jornal são bem-vindas! eu uso esse perfil como um blog, mesmo. me inscreverei no seu se gostar do teu conteúdo. sou adepta à publicação lenta e intencional. i can speak english. she/her.

!note que: antishippers não têm espaço no meu blog se for para criticar qualquer darkfic ou darkship que eu possa vir a explorar no futuro. eu sou contra o assédio e acredito que toda fanfic, sendo ela puramente fictícia, tem o direito de existir, inclusive as histórias retratando e explorando o moralmente repreensível. o autor é responsável pela sinalização e classificação adequada do conteúdo, e você, leitor, é responsável pela sua curadoria digital. dito isso, eu não me interesso (mais) por debates sobre ships. não quero saber de picuinha entre pro- e antishippers.
ngtskynebula: ("wants to... but tired!" little guy)

Depois de várias versões diferentes desse texto, a estrutura mais simples que eu encontrei foi uma lista, inspirado num artigo aleatório de um blog no Google Blogger jogado a deus-dará, cuja URL me foge à mente. (Não ficou simples, como eu queria. Que novidade!)

Quero registrar essas bobeirinhas porque depois o tempo passa e eu sinto falta se não faço; porque sempre vou lembrar com carinho da blogosfera, e me partiria o coração guardar o EON no fundo do baú sem honrá-lo com um tchau sequer. Sei lá quando essa fase passa, mas as fases só têm fim, pra mim, no momento que eu expresso ele — máxima aplicável ao blog, também.

Enfim! Olá, fanfimor. Happy New Year 2005. Como tem estado?


1. “Solidão” foi a palavra-chave do ano.

Sempre fui muito sozinha, mas isso tinha mudado de uns tempos pra cá.

Quando eu era pequena os meus pais vivenciaram uma fase muito conturbada no casamento deles que ocasionou inúmeras separações, mudanças de bairro, e, consequentemente, rematrículas nas escolas. Eu cresci sem amizades, sabe? Era muito tímida e insegura, meio apagadinha, nem sempre tive um extrovertido pra me adotar. E quando tinha não vingava, pois no ano seguinte eu ia embora. No ensino médio experienciei alguma consistência pela primeira vez, e pude cultivar vínculos com colegas da escola e fãs online, das mesmas mídias que eu, o que mudou o cenário.

Hoje eu tenho essas pessoas como meus amigos, e eles estão na minha vida desde aquela época. São amores que eu zelo há cinco, seis anos (a Duda é a mais antiga, conheço ela há doze anos, e o Lu vai logo atrás, sendo um presente do ginásio), e alguns desses, que eu conheci através da internet, até vi presencialmente. Com certeza eu não seria metade de quem sou sem o carinho deles, e a vivência que tive com cada um, a seu modo, são as memórias mais felizes da minha adolescência e início da vida adulta. Eu pude passear com os meus amigos, sabe?

Lá traz, a mim aos oito anos, tão só, orou por isso mais que tudo.

Bom, em 2025 a tentativa de regularidade cessou. Eu precisei desistir do trabalho no restaurante pra me dedicar aos estágios e eventos acadêmicos, e, okay, eu não me arrependo pois foi um sacrifício proveitoso, mas eu me senti tão, tão sozinha o ano todo, enfurnada em casa ou indo pra clínica (e, depois, pro hospital), restrita ao celular que estimula a ansiedade em mim, preocupada com o meu futuro financeiro e inquieta, cheia de saudades sem ter como suprir isso porque eu não tive energia e não tive dinheiro. Quanto à faculdade me foi útil, pois liberou tempo hábil para meter a cara nos cadernos, mas, em compensação, piorou o meu adoecimento psicológico.


Optar pelo freelance, anos atrás, em vez dum emprego fixo foi, afinal, um tiro no pé.

Eu me arrependo de ter tido medo de trabalhar direto e atrapalhar os estudos; se o tivesse feito, hoje estaria adaptada e teria meios de estar com quem quero. Não foi inteligente pra mim. Se eu pudesse voltar no tempo, aconselharia a mim mesma que desse a cara a tapa.

Espero ter comunicado, com clareza, que não estou cuspindo pra cima. Poder esperar até o final da faculdade para precisar trabalhar é um privilégio enorme, e eu sou grata pelo conforto que os meus pais me fornecem, porém não ter tido essa experiência me roubou oportunidades; tanto de, hoje, ter acesso à cidade e ao lazer, quanto de desenvolver essa particularidade. Fico até constrangida de falar disso, mas é como me sinto… pra mim, que valorizo a independência, ter quase vinte e cinco anos e só agora estar pondo, de verdade, os pés nessa dimensão da vida me causa grande dissabor.

Eu não saio de casa se não tiver o meu dinheiro, e como em 2025 eu fiquei sem dinheiro — bom, eu não saí. Senti falta. Doeu. O pão na mesa e o teto sobre a coroa são duas “regalias” tão características na vida do pobre brasileiro que falar de passeios, vida social e o mínimo de tranquilidade parece até papo de madame mimada, mas não é.

O básico é fundamental, e é mais importante, sim, mas não é tudo.

Senti o gostinho do mel que é ter amigos pra bater perna comigo, saraus e museus pra visitar, ou mimos esporádicos que sirvam de bibelô, e eu senti falta. O ano todo. 2025 teria doído menos se a ausência não me lembrasse do maior trauma: a solidão.


2. O “cansaço”, a “culpa” e a “ambivalência” vêm logo atrás.

Por muito tempo, mas principalmente em 2025, o meu limite geográfico se resumiu ao meu quarto: não o terraço, aberto aos ventos úmidos e aos raios de sol, e muito menos às ruas arborizadas do bairro onde eu moro, mas à minha cama, rente à parede, dentro do quarto fechado. Esse cenário minúsculo reflete bem o estado do meu mundo interno, na época: um canto pequeno, sob a sombra, sem fôlego, o desânimo materializado.

Minha rotina dedicada às pendências da faculdade, sem respiros sociais ou recreativos, alimentou a exaustão mental própria desse estágio, e como eu não tive energia ou motivação para mudar o que estivesse ao meu alcance, me senti culpada o tempo todo. Culpa por não estar fazendo mais, culpa por não estar fazendo o que queria, culpa por me sentir culpada. Tanta angústia, às vezes, variou em ambivalência, um meio caminho entre o ressentimento e a gratidão, mas frequentemente desaguou na aversão e autorrejeição.

Talvez eu nunca tenha sofrido tanto com a régua da minha eu-censora como em 2025. O turbilhão de emoções, associados ao blues usual da vida adulta, tornou a vivência do eu… castigante.

Se o nosso mundo interno é um jardim ou uma lagoa, o meu, no ano passado, não passou de um canteiro de terra arenosa, pouco nutritiva, ou um corpo d’água raso e sujo de detritos.


3. Uma parte alegre de mim morreu, depois de adulta.

Certo dia, na época do meu aniversário, a Madu me disse algo que me causou profunda estranheza: que eu sou uma pessoa muito alegre, apesar de tudo. Isso me fez parar e pensar, pois faz um tempo que eu não incluo “alegria” na minha lista pessoal de características.

Eu me perguntei onde que ela tinha visto isso em mim. Que coisa!

Emocionalmente, não tive a infância mais segura do mundo, porém tive acesso a confortos que me permitiram ser minimamente feliz; conforme cresci, e tomei consciência da minha realidade, me vi cada vez mais cabisbaixa, melancólica. Hoje digo, até, que sou meio ácida, meio cética, desapegada à vida — não ao ponto de querer tirar a minha, mas atravessando o meu tempo na Terra com a certeza íntima de que não existe bondade o suficiente aqui pra fazer isso tudo valer a pena.


Se eu pudesse escolher, escolheria não ter nascido, e todo dia eu torço para que não haja vida após a morte. Se houver, será colossalmente revoltante.

Em determinado momento da minha graduação, acho que quando começou a cair a ficha do que é ser adulta, me entristeci com o prospecto de que aquele cansaço fundamental que comecei a sentir me acompanharia pelo resto da vida. Na época essa visão me afetou porque eu ainda esperava viver como me prometeram antes, que se fosse uma pessoa boa a ‘vida boa’ me estaria garantida, mas os anos revelaram a verdade: não existe meritocracia, inclusive quanto à satisfação com a vida. Claro, amadurecer a minha perspectiva faz parte de se tornar adulto, e eu não acho que se fosse de outra maneira seria melhor, porém no átimo de entender que não, a vida adulta não é sequer uma mísera poça de rosas — quem dirá um mar —, e que sim, ela é injusta, incerta, cansativa e turbulenta, uma parcela essencial do brilho nos meus olhos morreu de vez.

Me sinto desconectada do “espírito brasileiro”, lembrado pela alegria apesar da adversidade; ou, talvez, será isso parte do que é ser brasileiro, justamente essa exaustão incorrigível dentro do peito? Não sei. Eu deveria ser mais alegre? Se fosse, me sentiria menos pesada, ou haveriam novos desafios pra mim? Que dúvida cruel. É possível ser verdadeiramente alegre sendo uma pessoa socialmente vulnerável no Brasil? O que é ser “verdadeiramente alegre”, afinal? Ugh.

Minha sensação de cansaço fundamental daquela época se transformou na melancolia que, hoje, eu aceito como parte de mim. Sou compassiva, mas não empática; não tenho apego à vida, mas, ainda assim, lutarei por ela, por mim e pelos outros ao meu redor; eu me orgulho de ser séria. A fala da Madu me norteou de modo positivo, mas, curiosamente, não me sinto triste por constatar a falta de alegria aqui dentro. Acho que a quietude e a melancolia me servem um pouco melhor, pelo menos por enquanto. O luto passou, estou fora do cemitério.


4. Li nenhum livro esse ano, mas li ensaios na internet.

Bom, eu até pensei em trazer uma lista de recomendações mas descobri que reler todos os textos salvos no meu navegador dá muito trabalho. Ao invés, comentarei sobre os muitos temas que me cativaram em 2025. Hooray!

Os temas mais extensos foram ecossocialismo e otimismo ambiental, porque eu sofro bastante pela ecoansiedade e precisei de acolhimento fundamentado em ciência para gerenciar isso; alegria, mais ódio, como resistência e complemento um do outro; e letramento quanto à segurança digital. Achei, inclusive, alguns livros sobre ecossocialismo e privacidade digital, embora não planeje lê-los já em 2026. Quanto à questão da alegria e do ódio dentro do ativismo político só posso dizer que deixei o tópico no pano de fundo, não por desinteresse mas para priorizar outros conhecimentos.

Também descobri sobre o conceito de solarpunk, que é tanto um framework político-organizacional quanto uma filosofia estética, antagônica ao cyberpunk. O solarpunk é, pra mim, uma utopia; é uma esperança. Eventualmente investigarei mídias audiovisuais e literárias baseadas nele para adicionar ao meu repertório cultural. Vem aí, fanfimor! Vem aí!

O que mais me desconcerta, recentemente, é a falta de privacidade digital sendo imposta sobre as massas, sobretudo o rastreamento de dados pessoais para fortalecer as câmaras de eco algorítmico nas redes sociais e a variação de preço predatória nos marketplaces. Eu não quero os meus dados nas mãos dos bilionários oligarcas, eles não se importam com o cliente: só se importam em lucrar o máximo possível, inclusive quando não há nenhuma troca real sendo feita por aquele dinheiro (ou seja, quando a mais-valia vem da especulação) e principalmente de maneira antiética. Não consigo sair de vez da internet, porém enquanto estiver aqui quero fazê-lo de modo informado.

No entanto, falando em sair da internet…! Poxa, bem que eu queria. No Insta passei a me interessar por unboxing de telefones dos anos ‘90 e 2000, são as coisas mais lindas, e agora eu quero um flip pra chamar de meu. Até achei um sendo vendido esses dias, mas ele custa uma pechincha de mil e tantos mirréi e eu não tenho tais papiros comigo neste momento, affs. Na melhor das hipóteses, em cinco anos eu consigo estabelecer a minha plataforma profissional nas redes e poderei me ausentar sem danos à minha renda, mas claro que darei um jeito de ficar online o menor tempo possível até lá. Hobbies pra quem te quero! Ativismo político! Leituras! Quase qualquer coisa!

Por fim, outro tema que me interessou esse ano foi o fic-binding! Até me inscrevi em alguns canais no YouTube, hehe. Cumpri a minha promessa de aprender a usar o Scribus? Não. Realizei a meta de transformar os textos do EON em livretos, pra começar a treinar? De jeito nenhum. Estou pensando em como realmente começar a fazer isso ano que vem? Claro! Que não, haha! ⸜(*ˊᗜˋ*)⸝ Meu deus, tá tocando Bindaetteok Gentleman na TV… que saudades do Jeonghannie, affs. Um beijo e um queijo, família, eu tenho muitas décadas de vida pela frente. Dá tempo, dá tempo.

Nossa, sério, que saudades do Yoon Jeonghan. Credo.

Ufa! Terminei. Na próxima vez faço uma lista de leituras recomendadas, menos trabalhoso.


5. Eu assisti bem mais filmes e séries que o meu usual.

Resolvi usar o MyLists porque não me adaptei ao hype do Letterboxd (me sentia pressionada por lá, olha que loucura!), e o MyLists, meu flopinho most beloved, não tem retrospectiva… que eu saiba. Ele me serve bem apesar disso, portanto não me aborreço em ter que fazer o resumo a punho, tal qual os incas e maias (já adianto que vou omitir, e esquecer, dum bocado):

  • Perfect Match (36 EPs, 2025); The Princess Royal (40 EPs, 2024); Love Is A Poison (12 EPs, 2024); Love Game In Eastern Fantasy (32 EPs, 2024), Blood, Sex & Royalty (3 EPs, 2022): lembro de ter assistido e terminado as séries esse ano, e, como pode ver, séries históricas chinesas moram no meu coração. Ó, eu ter finalizado os títulos não é um testamento de ‘excelentes roteiros’, mas, sim, de que me entreteram o suficiente pra eu ir até o fim. Estão todos na Netflix.
  • Poisonous Love (11 EPs, 2025), The Double (40 EPs, 2024): eu ainda estou “assistindo” essas duas, mas comecei em 2025. A webseries Girls’ Love está no YouTube, e a série chinesa está na Netflix. Em certo momento do ano fiquei mais lenta e sem paciência, por isso não sei quando retornarei às queridas.
  • Em 2025 eu assisti vários filmes, mas vou citar só os que dei boas notas e me chamaram a atenção: Straw (2025), The First Grader (2010), The Handmaiden (2016), Gangubai Kathiawadi (2022). Curiosidade do dia — eu não sabia que The Handmaiden tem cena de sexo, só sabia que tinha romance sáfico… ainda bem que assisti no meu notebook, uár.


Se o MyLists implementar uma retrospectiva em 2026 eu ficarei tilintante de felicidade, mas mesmo que isso não aconteça estarei aqui para divulgar o meu estimado companheiro. Sejamos moots! Sou a ngtskynebula por lá, também, hihihi.


Geralmente eu assisto muita pouca coisa todo ano porque ficar na TV me dá dor de cabeça, mas em 2025 estive tão deprê que o meu maior sinal de humor nas cucuias quase virou um comportamento usual…! Quando tô bem leio bastante, mas quando tô mal assisto coisas por associar o audiovisual a narrativas que não me fazem pensar muito. É cem por cento entretenimento.

Apesar disso, tá tranquilo. São fases e fases. Foi legal ter descoberto as histórias neste formato!


6. Decidi o que quero da minha carreira pelos próximos 5 anos.

Quero deixar os meus planos grandiosos suficientemente explícitos por essas bandas: as minhas maiores metas são a residência em Fisioterapia Traumato-Ortopédica pelo INTO (Rio), e financiar a minha casa própria. Não tenho vontade de sair do município, pelo menos não enquanto estiver atuando (mas me enfurnaria em Campo dos Goytacazes se um dia conseguisse me aposentar, porém sinto que terei uma síncope antes, lamento), embora esteja disposta a ir pra outro canto do sudeste… por pouco tempo. Nomeadamente, a pós em Recreação e lazer da UFMG (única do tipo no Br!).

No meio tempo tenho uns vários cursos pra fazer, de complementação e atualização. Também optei por dar uma chance à Fisioterapia Cardiorrespiratória, apesar de ter quase desistido real do curso quando estava matriculada na disciplina — Fisio. Neurológica é fichinha diante de cardiopatias e pneumopatias, sério —, por razões de: dinheiro.

Minha expectativa, daqui a cinco anos, é ter as duas especialidades no meu currículo. Em cinco anos eu estarei com 29 anos. Bastante cedo pra estar diplomada, atuando e benquista! Tenho essas ideias em mente, né, mas assim… não vou mentir que levo tudo com um ar de ceticismo e acidez, porque é foda fazer planos pros próximos cinco, dez, quinze ou vinte anos com o estado do jeito que está, a região do jeito que está, o país do jeito que está, e o continente e o resto do mundo. Os planos são pra não parar porque eu sou pobre e não posso parar, mas botar fé, mesmo, é difícil.

É difícil ser consciente das mazelas que lhe atravessam, visse.


7. Gostaria de ler 25 livros em 2026.

Eu não vou ler isso tudo, é claro. Admito que queria muito, mas após uma reunião com as minhas outras personalidades concluí que ser realista é bom, e, veja, 25 livros no ano em que precisarei me desdobrar pra alavancar a minha vida profissional é… muita falta de autoamor, isso sim. (O puxão de orelha da Meddy me ajudou, também.) Porém quinze livros dá, né? Espero que sim!

Lá pra 2022 eu criei toooda uma lista de critérios pra ter certeza de que a minha TBR anual seria o mais diversa possível, mas dessa vez só confiei no meu instinto literário e fui, ó:

  1. Comer para não morrer, 496 p. [Leitura em andamento.] Quase quinhentas páginas a favor de alimentos in natura, um argumento bastante relevante mas que não me engajou a ponto de conseguir terminar o livro em tempo hábil. O Skoob me diz que eu iniciei o livro em janeiro de 2023… e registrei o progresso, pela última vez, em setembro de 2024. Bom, que 2026 traga comidas gostosas e leituras finalizadas! A segunda metade é só com receitas, quero estrear o meu caderninho personalizado com os destaques da querida.
  2. A construção do argumento, 266 p. [Leitura em andamento.] Não menti quando disse que vou me tornar boa ensaísta, do mesmo modo que quero me tornar uma romancista habilidosa. Peguei pra ler esse livro, que não lembro aonde achei, para aprender a melhor forma de estruturar dissertações argumentativas. O livro é bom, só é meio denso então não li muito dele esse ano por não ter energia para o esforço intelectual exigido; não espero que ‘26 seja mais leve pra mim, mas se haverá melhor momento pra estudar argumentação e escrita do que o início da minha carreira como fisioterapeuta… eu desconheço, viu.
  3. Introduction to recreation and leisure, 460 p. [Leitura em andamento.] Lembro de um texto aleatório no Tumblr pipocar na minha dashboard há uns três ou quatro anos, e eu fiquei tão deslumbrada com a ideia de existir tooodo um campo de estudos para o lazer, o meu tópico favorito nas aulas teóricas de Educação Física do ensino médio, que eu vasculhei a internet no mesmo dia atrás do eBook mais recente. O que eu tenho é de 2012, e até tem uma versão mais recente porém ela custa uma bagatela de mais-mirréis-em-dólares-do-que-possuo. É. Mas a versão que eu achei é boa, mesmo assim! Tão boa que tem quase quinhentas páginas também, e eu nunca consigo terminar esta porra desta caralha! Ela é ótima!, ugh.
  4. Arrangements in blue, 240 p. Não há paz para Miranda no Rio de Janeiro, portanto 2025 foi um ano de algumas, não muitas mas também não poucas, movimentações internas… sem deixar de fora a minha experiência sexual pessoal, ou seja, a minha identificação enquanto demissexual multirromântica. Venho refletindo bastante sobre não me ver no “modelo de vida tradicional” postulado para nós, mulheres, de crescer, casar, ter filhos, murchar como uma flor seca e morrer cheia de ressentimentos. O livro trata da jornada ausente de amor romântico que a autora, Amy Key, vive. Quero ponderar quanto à minha indiferença ao amor romântico, que às vezes é uma aversão, até, e espero que esse livro me ajude nisso. O que é uma graça considerando que quase todas as minhas fanfics são de romance, mas é aquilo, né: treinadores não jogam, hehe.
  5. Asexual erotics, 196 p. Sim, em 2025 eu me virei muito para a assexualidade, e não, esse não é o único livro no tópico que eu encasquetei de ler, mas é o cujo título mais me intrigou. O erótico dentro do assexual? Como assim?! Bom, eu vou descobrir. (Tem outro que eu também tô doida pra ler, mas ele tem mais de quatrocentas unidades de papel cheio de palavras e eu não tô podendo me enrabichar com outro calhamaço, muitíssimo obrigada. Sim, passou de 300 páginas pra mim é calhamaço. Me deixa com meu melodrama, vá!)
  6. Elogio da lentidão, 132 p. O que eu li de Introduction to recreation and leisure me tornou bem mais anticapitalista do que eu já era, e grande fã do movimento antiprodutivista. Nas minhas idas e vindas em perfis no Instagram conversando sobre o causo me deparei com essa rec de leitura, e quem sou eu senão uma reles mortal ao serviço do bookgram, não é mesmo? Esse eu vou ter que comprar a versão física, o que é problemático. Me vejo obrigada a expulsar o meu irmão do quarto pra liberar espaço, lamento, lamento… #bookstanlife.
  7. Um conto para ser tempo, 528 p. [Leitura em andamento.] Eu ganhei essa cópia de presente do Zeldinha na Bienal do Livro 2023, e comecei ela numa buddy read com o Meddy que eu nunca terminei porque sou a pessoa mais pobre coitada que já pisou no Brasil…! Sério, o Mel terminou o livro e eu me afundei num poço de antileitura da qual não saí até hoje. Mas! Em 2026 vem aí, vem aí… em 2026 eu termino o livro que comecei no ano retrasado. E a edição é linda, gente, linda, linda, linda, uma da MorroBranco belíssima demais. É um dos livros mais bonitos que eu tenho, e veio de uma pessoa que eu adoro. Me sinto genuinamente culpada pela demora horrorosa pra terminar ele, e pela minha frouxidão como buddy reader, mas já fui adequadamente repreendida por me sentir culpada então não vou nem falar que ainda me sinto culpada, viu?
  8. Mariposa vermelha, 272 p. Esse livro é brochura, porém também é lindíssimo (e de páginas amarelas, o que amamooos por aqui.) Quem me deu de presente foi o Luiz! Também não lembro onde que eu vi recomendarem e nem o enredo da história, mas a capa ficou na memória desde que descobri ele; então, quando estávamos batendo perna no shopping, eu calhei de comentar dele pro Lu. Tinha sido meu aniversário recentemente, por isso ele pôde me convencer de levar o presente pra casa, affs. Não vejo a hora de poder ser sugar mommy, também, viu! Hikari, Zeldinha, Luiz e Melody serão as primeiras vítimas do meu ataque de Ursinha Carinhosa, estejam atentos! Apesar de que o correio brasileiro, ugh…
  9. O pequeno príncipe, 96 p. Um mini-clássico infantojuvenil que eu tô pra ler desde que o mundo é mundo, e que tomei coragem de ler agora porque as pessoas finalmente pararam de panfletar ele pra mim. Sou do tipo que sente menos vontade de conferir algo quanto mais ferrenha a publicidade, lamento, lamento… mas lerei! É isso o que importa. Confesso que fiquei tentada a trocar este pela releitura de A princesa flutuante, mas o pequenino ganhou.
  10. Árvore inexplicável, 328 p. Já li Porém Bruxa, da mesma autora—Carol Chiovatto—, e eu sou absolutamente a-pai-xo-nada por essa escritora brasileira. Estou pra comprar a versão física de Porém Bruxa há tempos, mas já que ela publicou esse novo título recentemente eu vou me mimar e comprar logo os dois, hehehehe. Eu leria até a lista de compras da Carol, sério, eu nem sei do que se trata o livro mas já que foi ela quem escreveu… estarei lendo!


[Inserir tabela com a TBR 2026.]
 

  1. O processo, 279 p. Será o meu primeiro título de Franz Kafka, grandemente lembrado pelo seu clássico A metamorfose (que um dia talvez eu leia). Comprei a versão da Pé da Letra, de 2018; é um livrinho leve, branco só pra me dar trabalho, de projeto editorial razoável. Ando querendo ler os quase-muitos livros físicos escondidos no fundo do meu armário, e tentar a sorte com um autor célebre me pareceu inteligente. Clássicos são clássicos por um bom motivo, galerinha, então é sempre bom buscar criar oportunidades para lê-los.
  2. A ridícula ideia de nunca mais te ver, 209 p. Esse vi no Skoob da Madu, e o título é tão curioso que não pude me conter. O nome de usuário da Madu vem desse livro, ela adora ele, então tô bem animada para lê-lo e chorar bastante, talvez, quem sabe.
  3. Otaku Magazine: Creatures, 164 p. Sem querer achei essa série de revistas, hoje um projeto abandonado pelo estúdio, enquanto procurava por livros de estudos midiáticos voltados para o universo otaku. Não estão todas em inglês, e eu não faço ideia do que esperar, mas tá okay. Inclusive vale a pena anotar que, por causa dessas revistas, me lembrei que revistas existem, e, portanto, quando eu me tornar ensaísta posso realizar o meu, até então esquecido, sonho de garota nascida nos anos 2000… ser publicada num editorial do tipo! Hooray!
  4. Otaku Magazine: Kaidan, 164 p. Idem.
  5. Otaku Magazine: Play, 132 p. Idem.


Por fim, para fins de posterioridade, uma tabela simples com minhas TBRs falidas de 2024 e 2025:

[Inserir imagens aqui.]


8. Gostaria de voltar a dançar e cozinhar, também.

Contrário ao que a minha formação acadêmica enquanto fisioterapeuta pode insinuar, eu (ainda!) não tenho quaisquer habilidades corporais. E isso me frustra desde que o mundo é mundo.

Nas aulas de Educação Física do colégio eu sempre fiquei na arquibancada para não evidenciar o quão desengonçada era, e quando não conseguia fugir das ordens do professor a minha vergonha do meu próprio corpo gerando movimento, atraindo atenção, e de maneira desajeitada, me fez odiar a mim mesma cada vez mais. Por fim, aos quinze anos participei da minha primeira aula de dança e fui acolhida pela professora; me apaixonei pelo prazer de dançar, pela ideia de desenvolver minhas competências físicas com aquele dinamismo rítmico. Contudo a gente não pode ganhar todas, mas, pelo visto, pode perder, então eu comecei a ficar hiperconsciente de como era péssima dançando, e em vez de ter culhões pra aprender a ser boa… eu desisti.

Horrível, horrível! Pior decisão de todas! Sinto muita falta da dança, mas o tempo passou e, com ele, o momentum; no pique que eu me cobrei por não dançar, me decepcionei com a minha inabilidade gritante toda vez que tentava retomar. O comportamento tornou-se cíclico, até eu sofrer de sinais e sintomas de hipertensão arterial. Hipertensão arterial aos vinte anos é estarrecedor; e no meu caso, foi um alerta fortíssimo do meu estilo de vida sedentário. Se eu tivesse sido paciente comigo mesma quando mais jovem não teria chegado a esse ponto…

Estou arrependida, insegura e desencantada, porém sei que preciso reaprender a aprender; tenho que ter coragem de ser ruim, até porque precisarei fazer isso muitas mais vezes daqui pra frente. Em 2026, mais do que melhorar a resistência cardiorrespiratória e aumentar a minha força, quero voltar a dançar porque ela me faz feliz. E se eu for ruim, dane-se, eu que lute!

(Eu digo, trêmula de constrangimento.)

Por outro lado, cozinhar também me deixa feliz — mas é outra habilidade que não cultivei por medo de falhar, entre outras razões. Não sei se terei tempo hábil para experimentar receitas esse ano, mas se tiver fará bem a mim. O meu museu de tentativas… não, mas tá okay, tá okay. Tudo a seu tempo, o que tiver de se encaixar vai se encaixar, sem apavoro, sem ansiedade! Sem apavoro!


9. Sonho em passar o tempo confeccionando zines e criando hortas.

Em determinado momento da minha estadia no Tumblr (e sim, eu ainda uso o Tumblr em 2026), fiquei sabendo da existência do fic-binding… e nunca mais tirei isso da cabeça. No futuro me darei um curso de encadernação e restauração de livros de presente, só porque gosto e porque quero, mas, por hora, gostaria de começar as missões com projetos simples — como transformar os textos do EON em livretinhos A5. Eu também faria isso com as minhas oneshots! Não que eu tenha muitas terminadas e elegíveis, ahem. (Dá pra acreditar que, um dia, eu criei um blog pra divulgar as minhas fanfics, e depois disso escrevi de tudo, menos as danadas das fanfics?! Gagged.)

Outra ideia que eu tenho é de conceitualizar e concretizar um fanbook fanmade de Grand Chase, com ensaios curtos, ilustrações e mais qualquer outro fanwork que der na telha; uma collab com os meus amigos que fazem parte do fandom. Eu imagino o fanbook como uma revistinha, tipo aquelas da Capricho, sabe? Talvez eu finalmente aprenda a mexer no Scribus, assim.

Faz um tempo que eu reflito sobre maneiras de tornar as minhas atividades de fanfiqueira menos digitais e mais físicas, não só pela questão do arquivamento mas, também, pra que eu saia da frente do computador, mesmo. Muito da minha criatividade é centralizada no teclado do laptop, eu quero mudar um pouco isso. Já é tempo, mais de dez anos… ui.

Outra atividade manual que gostaria de experimentar é manter um jardim. Minha mãe é “mãe de plantas”, enquanto que eu não tenho afinidade mas acho bonito; quero aprender a ter. Um jardim é bastante responsabilidade, você precisa cuidar frequentemente para que os matinhos não morram, e eu acho que é isso que me faz hesitar mesmo morando numa casa com quintal a vida toda.

Quem sabe eu até retome algumas lembranças da infância, como o pé de acerola, a mangueira, a goiabeira, o limoeiro e a roseira branca. O chão de terra molhada, o capim crescendo…


10. Minha relação com o meu corpo não melhorou.

Apesar de não ser a maior fã da minha aparência, a minha maior insegurança é mais pragmática: minha cognição e meu condicionamento físico não acompanham as minhas intenções, o que me frustra grandemente. Se planejo algo, qualquer coisa que seja, sempre me demandará muita energia e gerará pouco retorno… faz bastante tempo que eu não sei o que é me jogar de cabeça num projeto sem me entristecer com a minha incompetência, e, por causa disso, eu paro.

Eu desaprendi a aprender, tanto o que é intelectual quanto o que é cinético, e agora, hiperconsciente das minhas inabilidades, eu congelo, hesito, paro e desisto. Eu me culpo, me revolto, me enclausuro em mim. Estou tentando mudar há vários anos, mas o que conquistei até hoje não é suficiente pro que preciso a seguir, então reconstruir os meus hábitos está sendo dificílimo, sobretudo porque eu preciso de um alto senso de automerecimento pra investir em mim mesma, e ainda não tenho essa autoestima toda. Vario da ambivalência à aversão em relação a mim, e não enxergo no eu que existe enquanto corpo e pessoa um alguém que valha tanto esforço.

Faz pouco tempo que pude colocar isso em palavras, aliás; até então eu só sentia a melancolia e a irritação, mas agora sei que sou eu me autossabotando ao procrastinar o que é importante, e viável, pra mim. Certo dia minha mãe me disse: “Rico indica, pobre tem que ter paciência”, e é verdade. Eu preciso ter paciência com os fatores externos, aquém, e com os fatores intrínsecos, muitos dos quais simplesmente não tenho coragem de modificar pois tanto o sucesso quanto o fracasso me apavoram. Sei que estou evoluindo, e sei que essas crises existenciais têm que acontecer nas fases que estão acontecendo, sem postergar artificialmente epifanias que pertencem a idades específicas, mas é tão difícil confrontar a mim mesma hoje, sem ego, sem uma identidade fora do que estou, do que faço e de como posso ser útil ao outro… quem sou eu quando eu só sou? Quem sou eu quando eu mereço a minha própria atenção e carinho? O que eu tenho que fazer pra me tornar essa eu?

Eu me pergunto como seria a minha vida se eu pudesse contar comigo mesma.

(Sabia que isso tem nome? Se chama “autoeficácia”, e é um dos componentes do autoconceito.)

Nesse primeiro trimestre de 2026 passei por uma série de crises existenciais, que, na verdade, só são episódios filosóficos pertencentes à minha graduação — mas dos quais, na época, eu fugi, em vez de confrontá-los, então se acumularam —, porém, felizmente, cheguei a algumas conclusões.

Em relação à autoestima e o senso de automerecimento não tem jeito, isso é projeto de vida toda; sendo assim, a minha motivação precisará ser extrínseca por um tempo. Quanto ao medo de aprender, e a falta de atrevimento… a resposta é incômoda e anticlimática: abaixo minha régua pessoal, e faço com medo, mesmo. Eu ainda não sou audaciosa, mas não posso esperar me tornar tal espontaneamente. Tenho prazos a cumprir, comigo e com os outros. Pessoas a honrar.

No entanto, para além dos planos de carreira, que exigirão um corpo forte e uma mente afiada, eu retornarei à peregrinação de cuidar de mim por mim, mesmo, pois o tempo não é misericordioso; se ele vai passar, independente da minha vontade, então é mais inteligente que eu faça o que posso hoje para o bem daquela versão do ‘eu’ que existe no futuro.

Por mais doloroso que seja facear quem eu sou hoje.


11. Os pilares da minha rotina real mudarão em 2026.

[Inserir a minha capa desktop aqui.]

Em janeiro eu fiz muuuitos planejamentos, de profissionais a financeiros e acadêmicos e pessoais, bastante coisa, todos dependentes de uma mudança radical no meu dia a dia. Quando colocado no papel, eu estava jogando as minhas horas de vida no ralo com as redes sociais e a procrastinação, algo que me impactou grandemente. Nos últimos cinco, oito anos, eu venho objetivando melhorar enquanto pessoa, isso não é novo, mas agora, aos 24 e recém graduada, estou num degrau decisivo na minha vida que não comporta, mais, a moleza prévia. O crescimento que tive necessariamente precisará duma guinada de aceleração, daqui pra frente.

Comecei analisando quais os meus maus comportamentos atuais, e anotei os pilares da mulher que eu me tornarei — como se diferem da mulher que sou. Na minha visão, leio muito e leio bem; estudo bastante, sou lembrada por isso; e não fico enfurnada no meu quarto. Comecei a implementar um pouco de cada princípio em janeiro, e estou progredindo com lentidão mas intencionalidade. Está sendo muitíssimo desafiador reconstruir meus hábitos, largar os vícios e a autossabotagem, contudo levo comigo algumas verdades absolutas: “Você faz da sua vida o que você faz dos seus dias.” “Faça cansada, mesmo; faça com medo, mesmo. Só faça.” “Você é o que você sabe, e o que você não sabe você pode aprender.” Eles funcionam pra mim.

Pra me ajudar a não perder esses grandes objetivos de vista, fiz uma colagem no Canva. Eu tô muito feliz com o resultado porque não sou uma pessoa visual, porém, mesmo assim, a colagem saiu uma graça! Ela é a minha capa de desktop, então toda vez que abro o laptop me lembro do panorama, do porque estou me dando todo esse trabalho. O pouquinho que faço dia após dia se acumulará com o tempo. Meu método de planejamento mudou em 2026, evoluiu; acho que nunca estive tão satisfeita com o que anoto no caderninho. Estou me permitindo criar expectativas…!


12. Concluí que 25 anos é cedo o suficiente, sabe?

Quando ingressei no ensino superior tinha os objetivos utópicos típicos de quem, enfim, consegue uma chance de mobilidade social: sair da casa dos meus pais, financiar minha casa própria e ter a renda mensal maior que o salário mínimo vigente. Não desisti de alcançar essa vida de qualidade, é claro, mas quebrei a cara umas duas vezes tendo que abrir mão de certas possibilidades porque não seria sustentável a longo prazo. E doeu, bastante.


Achei que no último ano estaria num estágio remunerado, e que assim que me formasse poderia ir pro meu cantinho… eu estava contando com isso, foi o que me motivou quando a situação acentuou e o copo quase transbordou, mas as coisas foram acontecendo e acontecendo.

Durante a minha formação, na adolescência, passei por baques semelhantes — achar que as coisas mudariam, melhorariam. Não muda, sempre dói. Não me culpo por ter tido esperança de novo, só me admiro por ter inventado mais resiliência de um pote que julguei estar vazio há anos.

Não deu certo aos quinze, dezoito anos. Não deu certo nos vinte, vinte e três anos, também. Eu fui jogando pra frente, engolindo os sapos e tentando não me desesperar de frustração, não ceder ao medo das coisas nunca mudarem pelo resto da minha vida. Em 2025 eu refleti repetidamente sobre o causo, ao ponto de esquadrinhar mágoas melhor mantidas quietas, e até conversei com alguns amigos… bem como quanto a várias outras questões, processei o luto de sepultar um grande sonho e, com carinho, me permiti emudecer a eu-censora. Teria sido bom se eu pudesse sair de casa assim que terminasse a faculdade, mas eu não posso, e está tudo bem que eu não possa.

Minha vida toda não foi arruinada só por isso. Está tudo bem.

Vivo dizendo aos meus amigos para olharem o panorama; ainda que algumas das nossas conquistas tenham demorado até agora, temos todo o tempo a seguir para usufruir delas, sabe? Se você atinge um determinado objetivo aos 30 anos, tem os 50 anos pela frente para aproveitar. É muito fácil, pra mim, incentivar os meus amigos enquanto a minha régua segue lá em cima, mas isso mina a minha energia psicoemocional. Não vale a pena. Ser amiga de mim mesma também envolve tais bobajadas, como seguir meus próprios conselhos e acreditar que as coisas se encaixarão ao tiverem de encaixar, e que valerá a pena confiar no processo.

Dificílimo, mas não inatingível.

Então é isso. Silenciei a minha eu-censora, apegada à ideia de que eu “tinha” que ter conseguido tudo logo ao terminar a faculdade, e acolhi a mim mesma. Continuarei na casa dos meus pais — que é um privilégio socioeconômico, atesto e sou grata —, ainda que esteja ansiosa para ter a minha casa, e vou buscar psicoterapia do jeito que der, admitindo o crescimento que for viável.

Eu precisei postergar várias coisas, mas se consegui-las aos 25 anos ainda será bem cedo, né? E se consegui-las aos 30, também. Ou depois, ou depois e depois. O movimento do processo será bom, e certos resultados na nossa vida nem deveriam ter prazo pra começo de conversa. Está cedo.

Tenho muita coisa boa pela frente, ainda.

O luto machucou, mas não desaprendi a sonhar. Não de todo.
 


Estou sempre falando de escrita criativa ou de redação pra blogs, o que é confortável e limitado; por isso, dessa vez, me forcei a fugir dessas muletas, e quero registrar que foi bastante desafiador. Cortei muitos trechos, modifiquei seções, desisti de pautas. Que difícil, viu? Porém, conforme dito no início, depois o tempo passa, e, se eu não anoto essas coisas, sinto falta.

É um esforço mental, confesso, e até mexeu com a minha autoestima, mas é importante que eu faça isso, sobretudo no EON afinal, onde mais eu teria tanta segurança? O passar dos anos nunca me é misericordioso com a memória, mas eu não quero conseguir me lembrar apenas da escrita. Hoje eu sou mais que escritora, por mais que esse vá, para sempre, ser um lado meu extremamente valioso.

Sempre falarei de escrita criativa e blogs no EON. Dessa vez, só dessa vez, me dou o microfone pelo resto da tarde — pra falar só de mim.

Eu comecei a redação de hoje em novembro de 2025, e tinha planos de terminar e publicar o texto até dezembro, mas no final do ano me vi exausta com todas as tarefas necessárias para colar grau adequadamente, então resolvi postergar; não tinha porque me forçar, já que o EON é um hobbie. O artigo foi finalizado apenas em março de 2026, e, de lá pra cá, muito do que eu falei aqui mudou. Eu não diria que resolvi os B.O.s, mas tem bastante meta já em andamento, sabe?

Editar a publicação me permitiu refletir sobre o último ano (janeiro a dezembro de ‘25), bem como nos últimos seis meses (outubro de 2025 a março de ‘26). Que bom que eu decidi escrever esse texto aqui, de verdade, cara. Uhuuul! Viva ao journaling em blog pessoal, hehe.

Até mais, fanfimor! Eu tenho um perfil no Twitter (fanfiqueitudo), mas não uso ele; tenho um no Tumblr, também (emoutrasnotas), e esse eu uso com frequência. O Dreamwidth nos notifica via e-mail, então se quiser me contatar é só comentar em qualquer um dos meus textos. Beijo!

6.716 palavras, 21h de tempo ativo. O texto foi redigido totalmente com inteligência humana.


Nota para o futuro: adicionar as imagens do artigo!!!

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Olá, fanfimor! Como estão as coisas por aí? De minha parte, gostaria de declarar o hiato na seção já furreca de publicações sobre os meus projetos criativos; esses tempos não ando muito à fim de ser fanfiqueira, paciência. Eu continuo querendo postar no blog, então hei de inventar moda (e, de fato, usar as dezenas de ideias que tenho guardado). Inclusive, uma epifania que me ocorreu há tempos foi de que os dailys de Insta nada mais são do que a reinvenção do blog pessoal femme, não? Tenho um punhado de ideias que se encaixam nesse nicho, o que não é o assunto do artigo de hoje — não, hoje eu vou realizar um miúdo desejo da Mira de 16 anos, lá de 2018…

Que é: falar dos meus erros artísticos enquanto escritora! Sempre achei muito chique ler textos do tipo nos blogs de outros autores, e sempre quis um que fosse meu, mas eu precisava de experiência pra ter o que comentar, é claro. Bom, O conto inscrito na lâmina está engavetada e sem previsão de ressurreição, mas eu continuo escrevendo — esporádica e inconsistentemente, mas escrevo — aqui e ali, além de ter me lascado vezes o bastante desde 2018 para ter um, ou dois, murmúrios a registrar. Essas reflexões devem servir bem a qualquer fanfiqueiro calouro na Shipping Goggles University, no centro comercial de Kiss, Kiss! Fall In Love! do Sul; então, vamos que vamos.

 
1. Manter escrita e leitura como os meus únicos hobbies.
Confesso que a minha eu de 13 anos ficaria embasbacada de me ver quase fisioterapeuta, lidando com o movimento humano, dentre todas as coisas! Porém, considerando que estou no último ano do curso, estou nessa há tempo suficiente para, também, ser de cair o queixo que eu tenha demorado tanto para entender que o quê me faltou… foi requebrar o esqueleto.

Eu nunca gostei de realizar atividades físicas; conforme cresci, e o brincar deixou de fazer parte do meu dia-a-dia, me tornei sedentária — agravo que ainda não reverti, porém busco sanar —, e, nisso, a escrita e a leitura, dois hobbies de lazer passivo, passaram a ser os meus únicos passatempos. Os anos de estase cinética acumularam-se… ao ponto d’eu desenvolver disfunções musculoesqueléticas e quase odiar dois dos meus amores maiores, de tão exausta. Ceder à resistência inicial, própria do processo de criação de hábitos, em vez de teimar por saber o bem que me faria, me fez chegar aos 23 anos com o condicionamento físico ruim e até suspeita de hipertensão arterial!

(Aliás, busquei assistência médica e concluiu-se que eu não desenvolvi hipertensão arterial, não, foi só um susto. Minha alteração está dentro da normalidade por enquanto. Como é bom ser jovem!)

Claro, por vir de família baixa renda o meu acesso aos recursos que garantem dignidade mínima é bastante limitado, senão completamente bloqueado, mas eu poderia, sim, ter feito mais nos últimos tempos. Não digo isso no sentido de autorressentimento, todavia, e, sim, autocontemplação. Bom, já passou, né? Paciência. Hoje, sabendo a real extensão da importância de um estilo de vida ativo, com descanso adequado, alimentação adaptada e exercícios físicos com moderação, tô lutando contra a depressão subclínica e ficando 2% mais próxima de cuidar bem de mim a cada tentativa.

Só ter hobbies de lazer passivo é absolutamente insustentável. Os seres humanos precisam de uma atividade, associada à diversão, que lhes faça agitar os ossículos, salvo pessoas que já trabalham se mexendo muito (apesar de que, eu argumento, até nesses casos é bom). Para nós, almas caseiras e pouco energéticas, é bastante aborrecedor, mas é isso aí; de outro modo, com o organismo feito pra movimentar-se, é interessante o quão rápido nós nos adaptamos e passamos a querer o movimento, após começar. Eu te juro! Experiência própria.

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No meu caso, descobri que amo dançar. Não sou boa dançando mas amo dançar, e eu espero firmar ela na rotina. No YouTube há uma quantidade infinita de recursos gratuitos; se você gosta de dançar, recomendo o PS Fit, Well+Good e o Shake Twins. Eu acompanho os workouts desses canais nos dias que tomo coragem de balançar os membros de espaguete, são ótimos!

O meu conselho, enquanto fanfiqueira há uns tantos anos e como acadêmica, é que você explore as possibilidades ao seu alcance até achar algo que te cative. Não precisa ser nada que exista nalguma possível ideia fixa dentro da sua cabeça; não existe exercício certo ou errado, menos ou mais ideal, mas, sim, o que funciona pra você. Não se valha unicamente da escrita e da leitura, fanfimor; nada que te mantenha grudado ao telefone, PC ou códice será suficiente — você tem que se mexer! Nosso corpo cobra a dívida, nosso cérebro sente falta, e deitar na inércia da estagnação só vai te adoecer.

Não espere por um milagre; faça o que puder, do jeito que puder, na medida que puder. Gosto muito daquela tendência nos reels do Insta: “Primeiro você começa, depois você melhora.” Talvez te pareça um pouco bobo, mas é um excelente conselho.

 
2. Não organizar os meus arquivos de maneira adequada.
Eu já testei um punhado de software de escrita (exceto pelo Scrivener, o queridinho do ‘authortube’ gringo e meu maior inimigo), até o Quoll Writer — gratuito, código-aberto e minimalista, ou seja, do jeitinho que a mãe gosta, mas, pra minha genuína infelicidade, estou tão habituada a ter cinquenta mil pastas de documentos do LibreOffice Writer que eu simplesmente não me apeguei ao ícone. Dito isso, nem sempre eu entreguei conceito, coesão e aclamação no quesito bagunça com B…

Querido fanfimor, saiba: o escritor precisa de um sistema, e ele tem que ser simples e reproduzível, principalmente se for uma longfic. Se variar muito de um pra outro nunca saberá aonde encontrar anotações do tipo X ou Y. Já errei por deixar tudo descentralizado através de múltiplos cadernos, o que me atrasou em vários projetos e me fez, inclusive, desistir de alguns! Gosto da filosofia da Marie Kondo, e creio que ela é aplicável à fanfisfera. Hoje, o meu sistema funciona bem.

Eu tenho uma pasta só para os projetos de escrita criativa, dividida em: ‘Histórias originais’, ‘Minhas fanfics’, ‘Histórias engavetadas’ e ‘Outros arquivos’. Cada projeto leva sua própria pasta dentro delas, exceto algumas oneshots cuja outline eu mantenho no telefone ou só anoto no documento onde está o rascunho, mesmo. Na pasta de contos engavetados vão todas as premissas que eu não assumo, tal qual um homem cafajeste, mas que não abro mão por completo e há chances de eu retomar.

Na de O conto inscrito na lâmina, existem: ‘Monitoramento’, ‘Outros’, ‘Planejamento’ e ‘Publicação’; dentro de ‘Planejamento’, existe: ‘Cenários’, ‘Construção de mundo’, ‘Enredo’, ‘Exploração temática’ e ‘Personagens’. É facilmente reproduzível com outras longfics, vê?

Desse jeito, mesmo os arquivos aleatórios têm lugar certo. É bom que os arquivos em si sejam bem organizados, mas aí já é assunto para um outro dia. Sugiro que, além do PC, você organize os apps de escrita que usa, pois é bom guardar anotações do mesmo tipo sempre no mesmo lugar, ou seja, nada de ter um pouquinho no Google Documentos, e mais no Evernote, et cetera, et cetera, et cetera. E vou além: para a sua segurança cibernética, nem use nada da suíte Google, viu?

Hoje em dia eu só uso o Samsung Notes, mas já ouvi falar do Notesnook. Outra suíte que eu conheço um pouco é o WPS Office, e para as redações colaborativas fiquei sabendo, por alto, do Etherpad.

Independentemente de quais ferramentas você optar por usar, não deixe de criar um sistema que dê formato ao seu processo criativo. É importante para histórias curtas, e essencial para as longas.

 
3. Não estabelecer estratégias para monitorar o meu progresso.
Eu já tive aquela fase quase unânime, entre os internautas escritores, de querer um bullet journal; a minha tentativa foi xexelenta e infrutífera, mas tá aí, existe, e me rendeu respeito pelos gráficos e tabelas de contagem de palavras. Eventualmente abri mão das feitas a punho — a absoluta primeira que eu fiz tinha um desenho da Elesis ao lado… quando lembro, eu tenho vontade de, tipo, pulverizar espontaneamente, mas não falemos disso —, me casei com o TrackBear.app e não olhei mais atrás. But then! The horrors…! Um exemplo emblemático é de quando eu estava na minha quinquagésima revisão da outline de O conto inscrito na lâmina, me preparando para começar os rascunhos; no ir e vir das cenas, pensando somente em incluir todas as ideias das versões antigas que faço questão de reaproveitar, porém sem fugir muito dos limites narrativos da história como um todo, me esqueci totalmente que a Elesis passa por eventos profundamente traumáticos no início da longfic! Ela não teve um momento de respiro, foi só tiro, soco, porrada e bomba! Quando me dei por mim, já tinha uns oito capítulos planejados e ela pleníssima, apesar de et cetera y et cetera (spoilers, família). She would not fucking react like that, bitch. Então lá vai Miranda abrir o caderninho e matutar um jeito de evitar que essa gafe se repita… elaborei uma maneira de resumir o conteúdo dos capítulos e, ao mesmo tempo, sinalizar o movimento emocional das personagens.

Claro, essas parafernálias todas não servirão a todos os escritores, mas funcionam pra mim porque quando eu rascunho um capítulo, a última coisa que eu quero é realizar as modificações estruturais, conteudísticas. Dali pra frente só pode ser copidesque e publicação. Sendo assim, quebro a cabeça consertando o que há antes, durante o planejamento minucioso, quase obsessivo. Eu sou impaciente quando os meus projetos dão errado, por isso busco evitar frustrações futuras… eita, talvez eu deva levar isso pra terapia. Oh, well. Fwomp, fwomp, fwomp.

Ademais, pondo essa preocupante epifania de lado, esse tantão de fichas, listas anotadas e tabelas formatadas divertidamente só existem porque a minha longfic é longa mesmo. Entende porque eu não quero ter que mudar mais do que uns parágrafos quando digo que 280k é muuuita coisa? É uma lacuna gritante no enredo épico desses, e eu infarto, viu!

O problema do movimento interno eu resolvi com o que chamei de “linha do tempo psicoemocional do enredo”, com direito a enumeração do capítulo e das cenas que o compõe, sendo que cada cena tem a sua devida descrição, e ainda tem uma coluna pra pintar um gradiente conforme a atmosfera da seção, e outra pra imagem de um calendário (e eu não me perder em quando que os coisos estão acontecendo). Confesso que me senti galaxy brained demais inventando este, hehehe. Já outra tabela útil é mais básica, aonde eu averiguo em qual estágio do processo cada capítulo está — se está como rascunho, ou sendo reescrito, editado ou já publicado.

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A necessidade das planilhas únicas surge conforme se trabalha nas histórias, então, com o passar dos anos, trarei mais das minhas ideias pro EON; por hoje, o meu argumento é que você, fanfimor, debata sobre isso com seus amigos escritores para, talvez, adotar alguma ideia interessante, e não se esqueça de simplesmente criar os seus próprios materiais sempre que der na telha. Você não ouviu isso de mim, mas alguns recursos da Matemática até que são legais…

Ó, e se ainda não ficou claro, isso tudo é para que, na hora de caçar uma informação do projeto, ‘cê não precise reler tudo. Uma lista ou tabelinha é mais prático do que um tomo inteiro, não?

 
4. Querer complicar os textos para soar “mais inteligente”.
Okay que esse aqui é um espaço de acolhimento e respeito mútuo, mas, em minha defesa — sim, eu tô na defensiva, me deixe —, até que não fiz muito disso nas minhas histórias… porém meu telhado é de vidro no quesito redação para blogs, laaamentavelmentchy. It really yabba-dabba do be like it.

…Bom, quem nunca que atire a primeira pedra, né? (Não faça isso, por favor.)

Como sabemos, as duas únicas certezas da vida é o passar do tempo e o sofrimento, então, com um e outro, eventualmente amadureci a minha filosofia em relação à comunicação escrita; hoje entendo que não só não há necessidade de usar termos “rebuscados” quando os mais simples servem, como fazê-lo ainda é pedante pra caramba. Existe a ressalva da concreticidade e especificidade, conforme os ensinamentos maravilhosos da Shaelin Bishop, além da regrinha de copidesque que diz ser legal evitar repetições em excesso, nos incentivando a usar os famigerados sinônimos, maaas há de se concordar que tem umas palavras que só o pessoal de Filosofia, ou Direito, usa, né?

Quando se vê, a gente percebe logo… são aqueles textos que transmitem ideias do modo menos compreensível que a língua brasileira admite, é um saco. Ideias verdadeiramente complexas demandam um linguajar do tipo, porém, num geral, não há porque se comunicar dessa maneira quando debatemos tópicos que poderíamos, para fins didáticos, categorizar como “conhecimento iniciante” ou “intermediário”. Se você não consegue resumir a sua mensagem será que você realmente entende o que diz?

Se não consegue redigir histórias legíveis e fáceis de entender, será que você entende qual história quer contar, afinal?De novo, existem textos e fábulas onde faz sentido escrever desse jeito, mas são pouquíssimos os projetos que se beneficiariam dessa escolha estilística, se formos honestos. Falando da fanfisfera em si, essa quantidade diminui muitíssimo mais! Querido fanfimor, acredite: prefira o modo simples sempre que der, ele vai te servir em 86% dos casos. E outra, quando a gente leva isso a sério, percebe, fatalmente, que escrever fácil não é fácil, não…

E como seria, se você precisa entender do que está falando para poder comunicá-lo, e só entende as coisas quem pondera e estuda? Do give it a thought or two, pun intended.

Saindo do âmbito do que não se fazer e entrando na questão de como fazê-lo, não tem mistério, não, só um bocadinho de estresse. O primeiro passo é ler, e ler bem. Eu não digo que é preciso ler muito — sou adepta à lentidão intencional, é a minha filosofia de vida —, porém estar sempre lendo um ou outro título, através de assuntos variados, é suficiente. Leia livros, artigos e ensaios, relatos. Os textos precisam ser inteligentes; isso aumentará o teu vocabulário, e te ensinará maneiras de organizar as próprias ideias. Quem estuda e trabalha com textos saberá explicar isso melhor que eu… ó, de minha parte o que sei é intuitivo, por ser leitora. Também vale a pena esquadrinhar os seus textos favoritos para que identifique porque eles funcionaram pra ti, o que há na construção das frases e parágrafos, e na disposição dos tópicos, e, até mesmo, na escolha da tese defendida, que torna o texto bom como ele é. Vá, os encha de marginália, leia em voz alta, anote tudo, tudo, tudo.

Por fim, investigue a comunicação escrita e a redação dos textos que você quer aprender a escrever melhor, conhecimento esse que pode vir de inúmeras fontes. No YouTube tem um bocado de coisas, mas vou fazer um jabá da esquecidíssima blogosfera, cheia de tutoriais jogados ao relento…!

Os seus textos transparecerão inteligência quando servirem bem à sua intenção textual, e trouxerem pensamentos e convicções interessantes de se ler. Não precisa invocar o ‘de Moraes no STF pra isso.

Não complique o que é simples, fanfimor! Seja breve e intencional.

 
5. Só trabalhar em um projeto por vez.
Não sei se já comentei sobre isso, mas quando eu comecei a minha longfic atual — e anteriormente a ela, é claro —, eu só trabalhei nela. Fiquei de 2018 para meados de 2020 investindo intensamente na querida, e, com isso, me certifiquei de desenvolver um burn-out criativo que até hoje eu nem sei se curei por completo. Um excelente prospecto, não? Irrá…

Veja bem, trabalhar numa história por vez pode funcionar para alguns, mas pra mim foi um tiro no pé, e pode ser que seja pra você, também, fanfimor, então tome atenção disso. No meu caso gerou a sensação sufocante de estagnação artística, além de que ao se debruçar sobre um projeto que parece nunca ter fim, como é natural das longfics, se frustra até o escritor mais paciente. Minha paciência é de lua, é grande para algumas coisas e apoucada para outras… eu me importo com O conto inscrito na lâmina, por isso dedico bastante paciência a ela. Contudo, durei só dois anos nesse pique.

O que funciona para mim, hoje em dia, é pular de um projeto pro outro conforme o meu humor no dia ou temporada: eu tenho a longfic, de Grand Chase, e a mantenho como meu único projeto longo, podendo me enrabichar com uma shortfic (até agora não me interessei por nenhuma das ideias que eu tenho, portanto essa lacuna está em branco), e, por fim, até três oneshots de tamanhos variados (se bem que estou tentando me ater às ideias que provavelmente não passarão de 10k).

Caráter de curiosidade, percebi que quando estou em época de querer redigir pro blog significa que não ando fanficando muito enquanto autora. Well, it is what it is, I gueeeeess.

Quanto aos projetos longos, eu sugeriria ter algum tipo de compromisso com ele, apesar de ser total a favor da fluidez criativa — juro por deus, sou 100% adepta a ela —, pelo simples fato de que uma oneshot que se escreve quando dá na telha nós até conseguimos terminar entre dois a cinco anos (sim, isso é pouco tempo pra mim), mas uma longfic pode quadruplicar isso sem pestanejar, o que não é lá muito agradável para quem é ansioso e gostaria de terminar suas coisas, então… hm. O que for melhor pra ti, fanfimor, vai ter que servir, mas que haja alguma consistência, tá?

Eu tô terminando a minha primeira graduação, ocupada demais com o início da minha carreira e mais cinquenta mil outras demandas, por isso não o fiz com O conto inscrito na lâmina, mas tenho a mais honesta pretensão de fazê-lo quando as coisas se acalmarem! O resto das fanfics que lutem.

Cuide do seu jardim interno com as devidas variações de estímulo, e depois me agradeça, hehe.

 
6. Não me planejar para divulgar a fanfic.
Ainda que a fanfisfera se difira do mundo literário profissional, podemos aprender muitíssimo com os nossos colegas trabalhadores, sobretudo no quesito publicidade. Pra início de conversa, não deixe pra falar da tua fanfic apenas após tê-la publicado, e, após, não o faça à moda vamos ‘simbora. Tem que ter estratégia, fanfimor! Mesmo que seja simplificada, tem que ter.

Claro, nem todo projeto pedirá por tanto (eu te sugiro se dar o trabalho apenas em caso de shortfics e longfics), e também não te digo pra quebrar a cabeça com um plano super, hiper, ultradetalhado. Eu te aconselho sensibilidade: se o objetivo é conquistar leitores que acessarão o seu perfil e lerão a sua história, o mais ineficaz a se fazer é jogar um link no feed e esperar pela sorte, porém não tem porque se estressar além da conta todas as vezes, sabe?

Pelas minhas pesquisas e observações, eu diria que uma possibilidade, dentre tantas, é:
  1. Se fizer sentido, fale do teu processo nas redes conforme trabalha no off. Quase todos já o fazem, de maneira intuitiva, mas vale a pena destacar aos calouros. Eu sugeriria fazer uma publicação apresentando o projeto, pra que seus seguidores se informem quando necessário; de outra forma, comente sobre o andamento naturalmente pois isso alertará as pessoas no seu círculo literário que você escreve. (Porém se não quiser não precisa!)
  2. Comece a falar taticamente da sua fanfic uns dois meses antes de publicá-la. Organize um calendário editorial de marketing, com a quantidade de publicações semanais (para cada plataforma de divulgação escolhida) que lhe apetecer; três por semana é um bom número. Dessa forma, os leitores já saberão do teu projeto quando ele for ao ar. Reflita no que você gosta de saber das histórias, e parta desse princípio para decidir o que postar.
  3. Quando atualizar a fanfic, anuncie nas suas redes. Após começar a publicação dos capítulos, não abra mão dos lembretes amigáveis toda vez que o fizer, pois muitos leitores se valem mais das atualizações no feed das redes sociais do que das notificações nas plataformas.
  4. Leia fanfics de mesmo ship, enredo e gênero textual que a sua, e comente nelas. Já dentro da plataforma, a maneira mais educada de ser visto é ser um leitor genuíno. Visite fanfics que tenham relação com a sua, pois isso aumenta as chances dos leitores delas olharem o seu perfil e se interessarem. No meu Social Spirit, por exemplo, criei uma lista de leituras com histórias de pessoas que favoritaram e comentaram em fanfics dos meus ships flopados, e venho lendo elas bem devagarinho.
 
Existe a detestada técnica de mandar mensagens privadas pro pessoal, divulgando a fanfic, e eu… não sou totalmente contra isso, na verdade, porém eu concordo que é algo bem 2010, bastante sem tato. Penso que a única exceção admissível é quando a pessoa tem nada no perfil dela com o qual tu possa interagir (para que ela receba notificação sua de modo “não-invasivo”), e apenas se for num fandom ou ship muuuito flopado, em que você basicamente está de mãos atadas.

Sou fã de Magi: The Labyrinth Of Magic, que está morto há anos, então visitaria pessoas desse jeito para divulgar a minha oneshot Kouhaddin, por exemplo. Kouhaddin shipper é lenda urbana, então eu precisaria interagir com quem já leu fanfics com o Kouha ou com o Aladdin, e tentar a sorte. O ficdom brasileiro pode discordar de mim, eu entendo, eu entendo…

Bom, prossigamos com o prosear.

Creio que nada supera as atualizações semanais: não fica pesado pro autor, formatar os capítulos é um saco (ainda mais se você for multiplataforma) então todo alívio é bem-vindo, e é um ritmo bem legal pro leitor, que tem tempo de processar tudo sem correr o risco de se sentir ansioso por já ter muitos capítulos acumulados pra ler. E ainda dá tempo tanto de acumular mais comentários para responder, quanto para reanunciar a fanfic nas redes.

Falarei mais sobre a questão de ser fanfiqueiro multiplataforma, dado a minha experiência, mas, por hora, adianto a questão das imagens. Na hora de divulgar a sua fanfic é bom usar imagens, mas os espaços de leitura — bookgram, booktwt, bookblr — nos mostram que essa não é a única opção. Olha, eu aconselho você a dar uma olhada nessas subcomunidades como leitor, fanfimor, e tomar nota do que funciona pra você pessoalmente; não tente usar todas as opções de mídia possíveis, não faz sentido e só presta se você fizer sempre, no fim das contas. Possuir menos perfis significa maior assertividade na hora de administrá-los. Considere onde estão os fãs do teu fandom, e o shippers do teu ship, e comece por aí, mas não se force a entrar numa rede que não casa com o teu jeito de usar a internet só pra isso, pois não vale a pena e vai te fazer odiar o processo.

Se bem que o Insta e o Twitter andam tão merda que eu acho que vale mais a pena fazer tal qual os incas e maias, e interagir dentro dos sites de fanfic… e quais são as outras opções, mesmo? Reddit, TikTok, Amino Apps e Discord, né?Damn it, the fansphere is cooked.

 
7. Não fazer o backup adequado dos meus projetos.
Eu devo gostar muito de viver perigosamente, porque, por mais que esteja lhe escrevendo isso nesse momento, fanfimor, as minhas fanfics e mais muitos outros arquivos importantíssimos só existem localmente, no meu PC de 2019… dito isso, como diz a minha mãe (e eu discordo, então sei que você também discordará): “Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço.”

Bom, que esse artigo sirva de lembrete — preciso começar a praticar esse aspecto do que prego. Sabe como é, né? Eu escrevo há muitos anos, tem tanta coisa pra fazer backup… um tempo atrás eu usava o backup automático da suíte Google, mas estou degooglificando minha experiência digital (além de que a onda de inteligência artificial generativa deixou o produto deles bem menos atrativo). Usar do Google, ou não, é assunto pra um outro dia, embora eu deixe, aí, a sugestão de você ir buscar do assunto e tirar as suas próprias conclusões, mas algo é certo: todo criativo precisa de um sistema de backing up. O backup correto, completo, não é só subir os arquivos na nuvem e ir descansar. Exige a manutenção periódica e criteriosa da qual nós tanto fugimos, e de mais de um meio.

Aprendi que o esquema básico tem três saídas: a cópia local, ou seja, no seu telefone ou PC; a cópia na nuvem (algum serviço que te permita acessá-la e/ou baixá-la em outro dispositivo); a cópia num aparelho físico excedente (HD externo, pendrive ou cartão SD). Sim, é tão chato e trabalhoso quanto parece, porém imagine o que você sentiria ao perder todos os seus textos, e compare o estresse da prevenção com o desalento do descaso. Não deixe de fazer backup, hein!

O que faz sentido pra mim é tirar um dia a cada dois meses pra limpar o meu PC do lixo eletrônico deixando ele lento; eu aproveitaria para fazer o backup das minhas histórias nesse momento. Já que eu escrevo cada capítulo em seu próprio documento, faria o upload deles conforme terminasse os textos, e conferiria se os outros arquivos não se corromperam. Eu não lembro se já cheguei a perder histórias minhas por falta de backup pois os meus aparelhos sempre funcionaram muito bem — bem como o Writer, meu editor de textos há quase dez anos —, mas sei que, hoje, tenho textos que quero levar pra vida. Quero imprimir e encadernar alguns, mas enquanto não o faço, o digital terá de servir. …É, acho que preciso ir correndo praticar o que prego…

E se você quiser saber por onde começar a pesquisar, gostaria de compartilhar as opções que ouvi falar até então: Nextcloud, Mega e MediaFire para upload na nuvem; Seagate, como marca para HD externo. Uma artista que eu sigo no Instagram me recomendou ele. Não entendo bem de tecnologia, então estou aceitando dicas de quem é mais cabeça nisso!

 
8. Optar por ser multiplataforma sem me planejar.
Se, por um lado, publicar em múltiplas plataformas de fato aumenta as chances de você ser lido (no meu caso não muito, pois os meus fandoms estão todos mortos e os meus ships são sempre os mais flopados desses fandoms desfalecidos, mas aumenta uns 0.002%), por outro você paga pelo benefício com sangue e alma, porque só deus sabe como postar o mesmo texto várias vezes no mesmo dia vai descaralhar a mente do palhaço! O encoringamento não tá no gibi!

Se você planeja uma atualização dupla, por exemplo, é quase o suficiente pra te fazer querer desistir da escrita criativa de uma vez. “Ah, Mira, você está exagerando…” Não estou. Na minha experiência, ao menos, publicar sempre foi um estresse tremendo pois nunca deixa de dar algo de errado no site, ainda mais com a formatação — pior ainda se for um texto longo, com mais de cinco mil palavras. Eu postava no Social Spirit, que come os alinhamentos que não à esquerda, e no Wattpad, que faz mandinga com os travessões, e no Nyah! Fanfiction, que tem um campo de inserção microscópico. Nessa brincadeirinha eu preciso me lembrar do que dizer nas notas iniciais e finais, e também de atualizar todos os sites no mesmo dia — mas nunca um atrás do outro, senão me dá enxaqueca, dor nos ombros e nuca, e a maior sensação de desespero que um domingo pode proporcionar.

Talvez haja algo de errado comigo mas ainda não identifiquei o que é para corrigir, então venho, por meio desta carta, te alertar dos perigos sob a penumbra da internet… olha, ser multiplataforma é um evento à parte. Eu sugiro reservar uma dose generosa de bom humor, e umas duas ou três horas da sua manhã ou tarde, para fazer com calma, sem desígnio de ir “rápido” ou “sem aborrecimento”.

Separe quitutes e uma garrafinha d’água.

(Deu pra perceber que eu tenho um certo pavor dessa parte do processo?)

Cara, sério, ser multiplataforma é uó.

 
9. Desconsiderar que a fanfic será lida em ambiente virtual.
Não estou dizendo que ser… imaginativo com a formatação dos capítulos é errado, afinal a fanfisfera é o ambiente propício para tais explorações, normal, normal, mas assim… hm. Eu me atrevo a dizer que, pelo menos se a intenção do fanfiqueiro é ser lido, e isso está acima do viés de experimentação estilístico-literária do projeto, então a legibilidade da fanfic é, sim, mais importante do que o desejo do autor de publicar uma fanfic visualmente mirabolante. Repito, não é errado, mas eu acho que os autores precisam saber o que estão fazendo, e saber o quê querem com o que estão fazendo.

O “máximo” que eu já fiz foi encher os meus textos de negrito para destaques — porque não usar a própria narrativa pra destacar, não é? —, e abusar dos emojis e kaomojis, com zero amor no coração aos leitores em máquinas mais antigas ou que usassem o leitor de tela. Enquanto leitora, no entanto, eu lembro de fanfics publicadas com código de cores, e áudios e vídeos e imagens, e, a pior de todas, aquelas com fundo escuro na fonte clara. Os defensores do modo escuro não são bem-vindos aqui, vocês não me convencerão que uma das leis-mor do design de editoração, e web, foi rechaçada por causa da galera que nunca mais dormiu de noite, e, por isso, só usa o telefone de madrugada!

Sem dúvidas, a fanfisfera — e a internet, em si, né — é absolutamente sensacional para publicar as histórias disruptivas que habitam o nosso coração, mas eu considero um erro quando isso é feito abrindo mão da decifrabilidade do que está escrito, e da limpeza visual geral da página.

Tenho isso comigo com muita seriedade. Nada de exagerar na quantidade de formatação especial, ou de mídias e códigos HTML. O meu principal objetivo é que a minha fanfic seja lida, então não posso adicionar nada que impedirá o meu leitor de conseguir isso. Não mais, pelo menos.

Porém, confesso que eu possa ter me tornado meio… conservadora… nesse quesito. Tô fugindo, até, de usar os sublinhados e tachados nos meus textos, sabe? Cá pra nós, esse ano tentei voltar a usar os coitados sem muito preconceito, aqui no blog, mas acho tão feio, tadinhos… uó.

 
10. Contar que pessoas fora da fanfisfera me apoiariam por serem meus amigos (e esse é polêmico!)
No começo, quando eu ainda estava no ensino médio e tinha fé de que me tornaria uma autora prolífica no Social Spirit — imagine só, que loucura —, eu divulgava as minhas fanfics e o meu blog para os meus amigos mais antigos, que eu confiei que não zombariam de mim, e pros meus amigos virtuais, que, de um jeito ou de outro, conheceram essa faceta fanfiqueira minha, e eu, de fato, achei que a nossa amizade seria suficiente para eles apoiarem esses projetos, tão importantes pra mim.

Bom, não foi o caso! ⸜(*ˊᗜˋ*)⸝

Eu tive, sim, apoio caloroso e temporário de alguns amigos, mas não de todos com quem falei sobre. Por um tempinho eu me senti magoada, não vou negar, mas não durou muito, não, sabe? Depois de pensar bastante, concluí que as pessoas têm mais o que fazer, e digo isso de boas de verdade. O que é interessante pra mim nem sempre vai brilhar os olhos das outras pessoas, e eu não acredito que esse causo, em específico, é notável o bastante para exigir um olhar de soslaio e dezessete páginas de journaling, sob o enunciado de, “ah, mas se fossem amigos de verdade eles me apoiariam!” Cara, o meu círculo social está todo se empenhando a construir uma carreira bem-sucedida, ajudando as suas famílias e buscando casas próprias em boas vizinhanças. Quem eu penso que sou, disputando pela atenção deles por causa dos meus passatempos? Não sou idiota, eu respeito eles.

Entender qual o devido lugar de certas coisas na sua lista de prioridades, e na dos teus amigos, não é falsa modéstia: é inteligência emocional. Nem mesmo para coisos objetivamente sérios eu faço questão, acho uma pataquada ficar implorando por interação nos perfis profissionais, por exemplo, quem dirá quanto aos meus hobbies… após alguns anos, aprendi que é mais fácil cativar um colega dentro da esfera em cheque do que tentar trazer alguém do teu círculo pra ela.

Se você quer leitores pra sua fanfic, interaja com leitores de fanfic. Se tu quer leitores pro teu blog, interaja com quem escreve e lê blogs. Quem for de fora pode vir e ficar, mas não se valha disso, pois não é uma regra. E tá tranquilo, namoral. O processo pelo processo faz valer a pena.
 
 
No meu último texto por aqui, o artigo: “[Qs.] Um pouco do blogueiro em 8 perguntas!”, eu comecei dizendo que a minha depressão subclínica tinha estabilizado… me chamou a atenção registrar um comentário desses em março, porque estamos no meio de julho, agora, e só consigo me lembrar da angústia silenciosa que foi esse primeiro semestre de 2025.

Levei um dia de cada vez, como sempre faço — embora ache que, dessa vez, foi um tanto diferente, mas não saberei explicar como, por enquanto —, e, quando vi, o segundo estágio tinha acabado, e eu me sentia… vazia. Cansada, muito cansada, mas mais esgotada e sozinha do que qualquer coisa. Eu precisei abrir mão do meu trampo freelance, que me garantia uns trocados de vez em quando para prendas pouco frequentes, e com a enxurrada de enxaquecas que assolou minha casa esse ano, pois, é claro, quando não é uma coisa é outra coisa neste caralho, não pude contar com o dinheiro dos meus pais para além do absolutamente necessário. Fiquei sem dinheiro, então fiquei sem ver meus amigos. Pra não dizer que vi ninguém, vi a Madu em janeiro, com o dinheiro que recebi do reveillón. Depois disso eu caí no vórtice de estágio, casa, estágio, casa, hospital; definhei, quase.

Bom, “quase” não. Creio que cheguei a definhar, de fato.

Não tô bem.

Sempre me aborreci muito com a sensação de culpa, demorei para desconstruir a ideia de preguiça. Não existe ‘pessoa preguiçosa’, aprendi — existe quem procrastine, e a procrastinação sempre tem uma razão por trás. Dito isso, esse semestre confesso que me acomodei com o estágio, não busquei mais do que ele. Continuei estudando em cima da hora, dormindo pouco e dormindo mal, sem falar na alimentação empobrecida e no inexistente hábito de fazer exercícios com regularidade (até tentei começar em janeiro, mas perdi o gás rápido). Se a procrastinação é o não-fazer com explicações por trás, o que seria encarar o teto, vendo o tempo passar? Se eu sentir que só não quero, porque não, é válido investigar isso, ou, às vezes, a gente só não quer, mesmo, e é sem vergonha e preguiçosa?

Talvez eu seja uma grande vagabunda, afinal. Por quanto tempo mais essa justificativa de que estou deprimida valerá? Em que momento o esgotamento se torna cara de pau? O autoacolhimento deve ter limites, ou, a partir de determinado ponto, preciso voltar a me autopunir?

Eu li que a pessoa verdadeiramente preguiçosa não se importa de não fazer as coisas, mas tem dias que eu não sei se a minha preocupação me afasta o suficiente da definição pra que eu ainda mereça acalento. Sei lá, queria um abraço. Talvez fosse me sentir motivada se não estivesse tão sozinha.

Que saco, deu vontade de chorar de novo.
 
 
Sabe de uma coisa? (Pois agora vai saber.)

No começo do ano, eu pensei em criar um desafio pra comemorar o dia do blog, no final de agosto, mas após várias pesquisas eu descobri que existe um tal de BEDA: ‘Blog Every Day August’. É 100% a ideia que eu tive, então preciso criar nada. Pelo visto é coisa da blogosfera brasileira, dum grupo no Facebook — Rotaroots, hoje trancado — criado em 2013. Eu vi alguns blogs publicando textos para o desafio após 2020, o que achei interessante.

Na minha eterna busca por sites pra acompanhar, me deparei com o BEWA: ‘Blog Every Week April’, também chefiado por brasileiros; dessa vez, a Lana do PorceLana. Como é de se imaginar, a ideia é publicar semanalmente em abril (será que poderíamos mudar para agosto?), o que julguei sensato, até um tanto genial. Deu vontade de participar, confesso. O auê todo é só pra comentar que eu até pensei em postar o mês todo em 2025, porém, após uma reunião de mim com as vozes da oficina de lástimas diabólicas, chegamos ao consenso de que seria… pouco inteligente.

O desafio fica pra 2026. It is what it is.

Bom, em abril me deu um estalo, comecei a repensar várias coisas; principalmente nos 25 anos se avizinhando. Faltam somente dois anos, e passa rápido, né? Tô arrumando o que querer, pra ver se me motiva a continuar em movimento. Cismei que eu vou me tornar ensaísta de ensaios reflexivos e argumentativos, veja só. O mundo acabando, e eu caçando estresse pá estimular a cabeça.

Vê se pode uma macacada dessas, bê! Tsk, tsk.

Um abraço forte, fanfimor. Se cuida, fique bem.
 
6.255 palavras. 17h35 de tempo ativo.
 
E você, fanfimor? Há quanto tempo você escreve, e que lição valiosa aprendeu?

Oi! Tudo bem?

Nascida em 2002, sou assexual, multirromântica, preta, carioca da gema e bastante revoltada com os governos estadual, nacional e mundiais.

Gosto de gatos, cozinhar, gargalhar alto. Gosto, também, de Grand Chase, Seventeen, alta fantasia e não-ficção.

Como todos os outros, sou uma miríade.

Finquei meus pés na blogosfera em 2018, lançando o blog Anotações Esparsas, cujo qual eu viria a coautorar com o Carlos, um colega meu, até eu me retirar da equipe. Como poderá ler no texto: “Com anos de atraso, hoje eu me apresento a vocês”, deixei o AE porque cresci para além dele, embora minha proposta com o EON seja quase idêntica.

Minha proposta de falar de fanfics, fandom e cultura de fãs continuará, porém com a adição positiva de mais de mim. Mais do que escrevo, mais do que penso, e, principalmente, mais do que sou. Por aqui, você, fanfimor, lerá sobre minhas fics, e das releituras que eu fizer, e artigos tratando das opiniões que eu me reprimi compartilhar publicamente por tantos anos.

Como estou adulta — para o meu pavor —, espere por publicação lenta. Minhas prioridades serão minha carreira e minha vida pessoal, então escrever para blog será terciário, por vezes quaternário. Quando o influxo alcançar o estopim, darei as caras por aqui para extravasar um pouco. Não sei escrever demais, e não sei ficar sem escrever. Estranho como são as coisas, não?

No âmbito de escrever e postar fanfics, não tem diferença; escreverei devagar, postarei quase nunca. Dito isso, a feitiçaria que a KOG Studios fez não me deixa sair do fandom, e, por isso, as chances de eu postar uma oneshot ou shortfic são baixas, mas nunca zero. Se eu não estiver fazendo isso, então estou quebrando a cabeça com minha longfic Lass/Elesis — ‘O conto inscrito na lâmina’. Quando der na telha, comento dela por aqui.

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